O surf não foge à regra e, por isso, na sua prática estão incluídas algumas competições. No surf, os competidores vão-se classificando através de eliminatórias. Não há uma classificação fixa. Cada surfista tenta atingir a melhor classificação em cada ronda. Qualquer erro pode ser fatal, dado que se, numa dada ronda, um surfista for eliminado, não terá mais hipóteses de conseguir atingir o primeiro lugar.
As eliminatórias são disputadas por 4 participantes cada. Destes 4 participantes, só o melhor passa à próxima fase, caso atinja a melhor pontuação, de entre todos os surfistas da mesma eliminatória e grupo.
Para um surfista ser um bom surfista e conseguir superar, eventualmente, todas estas eliminatórias, necessita de seguir e cumprir determinadas ditas regras.
Antes de mais nada, é sempre bom realçar o papel da saúde física de um indivíduo. Qualquer indivíduo deverá ter uma boa saúde, de modo a que reúna consigo determinadas qualidades que facilitem o alcançar do sucesso no surf. Um exemplo dessas características é a destreza ou, mais comummente chamada, a resistência. Se um indivíduo se encontrar em forma, conseguirá suportar muito melhor o cansaço e, então, terá uma maior facilidade em continuar o seu percurso.
A preparação física é apoiada ou, pelo menos, não afectada, aquando da ausência de quaisquer drogas. Todos nós sabemos ou devíamos saber quais os efeitos das drogas no nosso organismo. Não devemos ser dependentes de nada, muito menos de algo que nos faça tão mal. Também é apoiada se o surfista seguir uma alimentação saudável. As substâncias necessárias à sobrevivência saudável do ser humano devem ser
ingeridas sem excessos, ou seja, moderadamente.
Mas será que isto é suficiente para uma boa resistência, agilidade, entre outras coisas, numa prova? A resposta é não. E porquê? Por muito mais saudável que seja um indivíduo, se este não tiver o descanso necessário suficiente, irá desempenhar, com deficiência, o que pretende. Com o descanso adequado, o surfista poderá ter um ainda melhor desempenho na prática deste desporto.
Contudo, por muito bem preparado que esteja um atleta, existem outros aspectos determinantes aquando da prática desta actividade. A preparação psicológica é bastante importante. É extremamente benéfica uma boa auto-estima e confiança, por exemplo. Além da preparação psicológica, o conhecimento de todas as regras da modalidade, bem como uma boa preparação a nível técnico têm uma grande importância. É bom que um surfista saiba quais os possíveis erros que poderá vir a cometer, de modo a tentar evitá-los ao máximo.
Sendo assim, com uma aptidão a nível técnico, associada a um profundo conhecimento de todas as regras, o surfista pode praticar esta modalidade da melhor forma possível.
A costa portuguesa é uma costa bem extensa, medindo cerca de 900km, metade do nosso perímetro. O mar, as correntes não são, como é de esperar, uniformes. Existem zonas com ondas de melhor qualidade do que outras, partindo do ponto de vista desportivo.
Estes locais onde a prática do surf é a mais agradável, com as melhores ondas, ou spots, podem ser escolhidos baseados em variados factores. Não só o tipo de onda determina se “esta onda é melhor que aquela”. O fundo do mar na própria região também condiciona esta determinação. Este fundo pode ser rochoso ou arenoso. É de notar que, apesar de cada onda ter uma determinada denominação, determinada pelo local onda rebenta, estas podem tender para uma evolução para a esquerda ou para a direita, o que depende do vento.
Não poderíamos deixar de falar do vento, claro, que é o principal factor desencadeante das ondas. O soprar do vento é determinante, já que é este que vai caracterizar uma onda.
Outro pormenor de extrema importância é aquele que delimita a prática do surf. Um bom tipo de onda, um bom spot, deverá permitir a prática de surf qualquer seja o estado do mar, ou seja, se este está em maré baixa ou alta ou, até mesmo, em meia maré.
Uma característica da onda, que por muitas vezes desprezamos, mal, é a da qualidade da própria água. Se bem que não é esta que influencia a prática do surf, mas há que tomar atenção às coisas e preservar, ao máximo, a água. A prática desta modalidade numa água bastante límpida será muito mais agradável do que numa água suja e poluída.
Estarão todas as possíveis características de um spot já associadas? Talvez, mas atenção, uma boa localidade para a prática do surf poderá perder um pouco essa mesma qualidade se nela existirem muitas pessoas. Ou seja, a praia estar cheia, como é óbvio, não interfere, em nada, negativamente, com a prática do surf, até pelo contrário. O prejudicial é se essas pessoas estiverem muito concentradas em locais propícios ao surf, mas isto já é outra história.
Pelo que lemos até agora, as características de uma boa onda já estão conhecidas. Resta-nos saber quais as praias portuguesas que comportam as melhores ondas, ou melhor, as principais praias portuguesas que as comportam, senão a lista iria ser enorme.
A praia de Carcavelos, possivelmente, será a praia de eleição, sendo uma das praias, senão a mais dotada de história a nível de surf nacional. Nesta praia, o vento sopra para Sul, e a prática deste desporto poderá ser executado qualquer seja o estado da maré.
A Costa da Caparica, tão bem conhecida, é uma das praias que também possui umas das melhores ondas de Portugal. A sua água tem uma óptima qualidade, sendo a praia que mais picos tem por cada metro quadrado. Este é um dos locais mais frequentados por surfistas e é bastante indicado para principiantes. Só há que tomar atenção com as construções humanas tão bem evidentes na paisagem, que se podem tornar potencialmente perigosas.
Tal como nas ondas da praia de Carcavelos, o surf pode ser executado a qualquer hora do dia, em qualquer maré. O sentido do sopro do vento é que muda, que sopra para Oeste, invés de soprar para Sul.
E porque, sem história, nada é nada, podemos revelar aqui algumas curiosidades acerca das origens do surf. É interessante saber que as primeiras noções de surfsurgiram em povos havaianos que consideravam que, para cada dia ser um bom dia, eram necessárias ondas apropriadas e, para que estas fossem atingidas, era necessário, segundo estes Havaianos tradicionais, ser praticado um bom surf. Então, a prática primordial de surf pode-se considerar como que associada a uma necessidade de agradar o mar para melhorar a vida humana, ou seja, uma questão de superstição.
Mas como tudo evolui e as superstições começaram a ser postas de lado, o surf começou a ser utilizado como um modo de garantir uma aptidão física adequada, através do esforço aquando da prática desta actividade.
Contudo, a maneira como era encarado o surfmudou depois da chegada de uma nova raça, a branca. O Havai tornou-se um país mais visitado depois da chegada desta raça, que vinha com o intuito de obter lucro, destruindo a tradição e os costumes da população original, enquanto se apoderavam da ilha.
Devido a este desrespeito, estas comunidades foram forçadas a deixar de lado a sua cultura e, consequentemente, os seus costumes, entrando o surf em grande declínio. No entanto, e ao contrário do que se poderia pensar, o surf não se deixou extinguir, ressurgindo no próprio século XIX. Esta “ressurreição” foi feita por um grupo de resistentes, provavelmente Havaianos, que mantiveram, apesar de tudo, os seus costumes. Até se chegou a pensar que apenas pessoas originárias desta comunidade teriam a capacidade de praticar esta actividade, mas isto tem-se vindo a revelar como falso.
Desde então, não demorou muito tempo até que o Surf se alastrasse até países bastante longínquos. Acompanhando esta evolução, as próprias pranchas tiveram que sofrer melhoramentos. Mas, mesmo assim, o número de praticantes ainda não era exorbitante, até pelo contrário. A dificuldade do desporto restringiu o número de surfistas à volta do mundo.
Novos materiais foram sendo desenvolvidos no intuito de facilitar o desporto, aumentando a leveza dos movimentos e o próprio controlo na prancha. Com novos materiais, novos movimentos surgiram. Com esses mesmos novos movimentos, o desporto foi embelezando cada vez mais e ganhando mais espectadores. Este desenvolvimento contínuo e cada vez maior tem-se revelado bastante interessante.
Desde há bem pouco tempo, o maior local de Surf do planeta localiza-se na Oceânia, mais propriamente na Austrália. Que local será a próxima tendência?
Apesar de tudo isto, de ser um desporto que nos pode ajudar a descontrair, por exemplo, o Surf tem revelado, mais recentemente, que pode ser bastante rentável. Aspectos relativos ao bem-estar ou à manutenção da condição física foram, progressivamente, abandonadas, surgindo a noção de dinheiro envolvida neste desporto. Hoje em dia, ser surfista é uma profissão bastante bem paga.